🌱Cálculos de correção para a Cultura da Soja, Milho e Sorgo (Calagem, Fosfatagem e Potassagem)
- Alexandre Rodrigues
- 12 de jul.
- 7 min de leitura
Atualizado: 12 de jul.
Antes da implantação da lavoura de soja, a correção da fertilidade é uma das etapas mais importantes para garantir altas produtividades. A definição da dose de calcário, gesso e fertilizantes corretivos deve ser baseada na análise de solo.
Tabela 1. Extração e exportação média de macronutrientes da cultura da soja
Parte da planta | N | P₂O₅ | K₂O | Ca | Mg | S |
Grãos | 51 | 10 | 20 | 3 | 2 | 5,4 |
Restos culturais | 32 | 5,4 | 18 | 9,2 | 4,7 | 10 |
Total | 83 | 15,4 | 38 | 12,2 | 6,7 | 15,4 |
Exportação (%) | 61 | 65 | 53 | 25 | 30 | 35 |
Unidade: kg de nutriente por tonelada de grãos produzida.
Fonte: Embrapa Soja (2008).
📌 Cálculo da necessidade de calagem
O método mais utilizado é pela saturação por bases (V%).

A calagem é a principal prática de correção da acidez do solo. Sua função é elevar o pH, reduzir os efeitos tóxicos do alumínio e fornecer cálcio e magnésio para as plantas.
Entre os principais benefícios destacam-se:
aumento da saturação por bases;
maior disponibilidade de fósforo;
redução da toxicidade de alumínio e manganês;
estímulo à atividade dos microrganismos do solo;
maior eficiência da fixação biológica de nitrogênio;
melhor desenvolvimento do sistema radicular.
A recomendação da dose deve sempre ser baseada na análise de solo, considerando critérios como saturação por bases (V%) e necessidade de calagem.
🔢Saturação por bases para áreas de abertura
A fórmula considera duas profundidades do solo (0-20cm) e (20–40 cm):

NC = necessidade de calcário
V1 = saturação por bases atual do solo
V2 = saturação por bases desejada: Soja 60%
CTC = capacidade de troca de cátions, em cmolc dm -³
PRNT = poder relativo de neutralização total (%)
🔢Saturação por bases para áreas de manutenção

NC = necessidade de calcário
V1 = saturação por bases atual do solo
V2 = saturação por bases desejada: Soja 60%
CTC = capacidade de troca de cátions, em cmolc dm -³
PRNT = poder relativo de neutralização total (%)
🔢Teores de Ca e Mg

NC = necessidade de calcário
Ca = teor de Cálcio do solo em cmolc dm -³
Mg = teor de Magnésio do solo em cmolc dm -³
PRNT = poder relativo de neutralização total (%)
Critério dos teores de Ca e Mg em áreas de abertura e de manutenção.
Recomendações Práticas para o Método dos Teores de Ca e Mg
Ao utilizar este método, é fundamental atentar-se às profundidades corretas de amostragem:
Áreas de abertura: A avaliação dos teores de Ca e Mg deve ser feita na camada de 20–40 cm.
Áreas de manutenção: A análise dos teores de Ca e Mg deve focar na camada de 0–20 cm.
🔢Método Baseado nos Teores de Al e (Ca + Mg) Trocáveis (Livro 5ª Aproximação - Minas Gerais)
Este método é amplamente adotado na região central do Brasil (Cerrado), sendo especialmente indicado para solos com baixa CTC (inferior a 5 cmolc dm -³ e com baixos teores de Ca e Mg (soma geralmente menor que 1cmolc dm -³
A necessidade de calagem (NC) é determinada a partir da seguinte fórmula:

Nota: Em sistemas de alta tecnologia ou culturas mais sensíveis, utiliza-se a variação com tolerância ao alumínio:

Significado das Variáveis:
NC = Necessidade de calcário em t/ha (para PRNT de 100%).
Al³⁺ = Teor de alumínio trocável do solo, em cmolc dm -³.
Ca²+ + Mg²+ = Teores trocáveis de Cálcio e Magnésio, em cmolc dm -³.
Y = Fator de correção baseado na textura do solo (poder tampão):
0 a 1: Solo arenoso (menos de 15% de argila).
1 a 2: Solo de textura média (15% a 35% de argila).
2 a 3: Solo argiloso (35% a 60% de argila).
3 a 4: Solo muito argiloso (mais de 60% de argila).
X = Teor mínimo de Ca + Mg exigido pela cultura (valor tabelado, normalmente variando de 1 a 3 conforme a cultura).
mt = Saturação por Al+³ máxima tolerada pela cultura (%), expressa pela fórmula:

t = CTC efetiva do solo, expressa por:

Comparativo e Tomada de Decisão
Solos com baixa CTC: O método baseado nos teores de Ca + Mg apresenta maior efetividade quando comparado aos dois critérios de saturação por bases apresentados anteriormente.
Critério de aplicação: Recomenda-se realizar o cálculo por ambos os métodos (Saturação por Bases e Teores de Ca + Mg), adotando-se o resultado que indicar a maior dose de calcário para a área.
Modo de Aplicação do Calcário
A estratégia de aplicação é um fator crucial para o sucesso da calagem e deve ser definida com base no histórico e manejo da área, dividindo-se em dois cenários principais:
Estabelecimento de Sistema (Áreas de Abertura):
Manejo: A aplicação é feita com incorporação profunda no solo.
Dosagem: Neste cenário, não há limite máximo de dosagem por aplicação.
Plantio Direto Estabilizado:
Manejo: O calcário deve ser aplicado em superfície, sem incorporação.
Dosagem: O fornecimento é limitado a uma dose máxima de até 2,5 t/ha por vez.
📌Gessagem: Conceito e Modo de Aplicação
A gessagem é a segunda prática corretiva mais difundida na agricultura. Na tomada de decisão, o principal fator que define a sua viabilidade econômica costuma ser a distância da propriedade até as fontes de gesso (impacto do valor do frete).
Em termos de comportamento químico no solo, o gesso distribui-se da seguinte forma:
30% na superfície: Atua na forma iônica livre Ca²+ e SO4²-.
70% com mobilidade no subsolo: Move-se em profundidade na forma de par iônico neutro ou carga zero CaSO4, promovendo efeitos benéficos nas camadas mais profundas.
Essa prática é adotada visando dois objetivos principais:
Condicionador de subsuperfície.
Efeito fertilizante (fornecimento de Cálcio e Enxofre).
Benefícios do Gesso para o Sistema Radicular
O gesso melhora significativamente o ambiente do subsolo para o desenvolvimento das raízes porque:
Aumento de Cálcio: Eleva os teores de {Ca em profundidade.
Redução da saturação por Alumínio (m): Reduz a participação do alumínio ao aumentar a presença de Ca na CTC efetiva do solo.
Complexação do Alumínio: Diminui a toxidez do elemento devido à formação do par iônico AlSO4+, uma forma química não tóxica que não é absorvida pelas raízes.
Critérios de Recomendação
A tomada de decisão para a aplicação de gesso deve ser baseada nos resultados da análise de solo na profundidade de 20–40 cm. A recomendação é indicada quando a área apresentar pelo menos uma das seguintes condições nesta camada:
Teor de Cálcio (Ca): < 5 mmolc.dm-3 ou 0,5 cmolc.dm-3;
Teor de Alumínio (Al): > 5 mmolc.dm-3 ou 0,5 cmolc.dm-3;
Saturação por Alumínio (m%): > 30%.
Saturação por Bases (V%): < 30%.
A seguir, serão apresentadas as principais metodologias e fórmulas para o cálculo da dose de gesso.
🔢Método da porcentagem de argila
Tabela 2. Método da Porcentagem de Argila
Textura do solo | Argila (%) | Gesso (kg.ha−1) |
Arenosa | < 15$ | 700 |
Média | 16 a 35 | 1200 |
Argilosa | 36 a 60 | 2200 |
Muito Argilosa | > 60$ | 3200 |

ou

🔢Método da elevação da saturação por Ca na CTC efetiva

Sendo:
NG = Necessidade de gesso
CTCe = CTC efetiva - Capacidade de troca de cátions efetiva (soma de bases + alumínio trocável)
Ca = teor de Ca em cmolc dm-³
📌Fosfatagem: Conceito e Modo de Aplicação
A fosfatagem é uma prática corretiva realizada no pré-plantio, distribuída em área total. O manejo pode ser feito sem incorporação ou utilizando apenas uma grade niveladora, sendo indicada para solos que apresentam teores de fósforo (na camada de 0–20 cm) abaixo do nível crítico — ou seja, menor que 20 mg/dm³ de P (resina).
O principal objetivo dessa prática é atenuar a capacidade de fixação de fósforo do solo. Essa correção é necessária porque, no ano de aplicação do adubo fosfatado convencional, apenas 20% (em solos argilosos) e 30% (em solos arenosos) do nutriente costumam ficar efetivamente disponíveis para as plantas.
Benefícios da Fosfatagem
De acordo com a literatura técnica, os principais benefícios da prática incluem:
Saturação de sítios de fixação: Proporciona um maior volume de fósforo em contato com o solo, reduzindo a fixação subsequente do nutriente.
Desenvolvimento radicular: Estimula um maior volume de solo explorado pelas raízes das culturas.
Eficiência hídrica e nutricional: Potencializa a absorção de água e de outros nutrientes essenciais.
Sanidade vegetal: Aumenta a tolerância e a convivência da cultura com pragas de solo devido ao sistema radicular mais vigoroso.
Critério de Recomendação
A dose de P2O5 (kg/ha) a ser aplicada deve ser calculada com base na fórmula específica e nos dados da Tabela 3 (mencionadas no material original), considerando sempre os teores de P2O5 total das fontes de fertilizantes escolhidas.

Tabela 4. Nível crítico e capacidade tampão de fósforo (CTP)
Teor de argila | Nível crítico de P (sequeiro¹) (mg dm−3) | Nível crítico de P (sequeiro¹) (mg dm−3) | Capac. tampão P (CTP)² (kg P2O5 ha−1) / (mg dm−3 de P) | Capac. tampão P (CTP)² (kg P2O5 ha−1) / (mg dm−3 de P) |
% | Mehlich 1 | Resina | Mehlich 1 | Resina |
< 15 | 20 | 20 | 5 | 5 |
16 – 35 | 20 | 20 | 10 | 10 |
36 – 60 | 10 | 20 | 30 | 15 |
> 60 | 5 | 20 | 70 | 20 |
Para obtenção do nível crítico de fósforo no sistema irrigado (90% do potencial produtivo) multiplicar por 1,4 os valores de nível crítico do sistema de sequeiro.² Dose de P2O5 para elevar o teor de P no solo em 1 mg dm−3, com base em amostra da camada de 0 a 20 cm.
📌Adubação Corretiva de Potássio
A adubação corretiva com potássio, quando realizada em área total antes do cultivo da soja, baseia-se em dois critérios fundamentais (VITTI, s.d.):
Elevação da saturação por potássio na CTC potencial (K% CTC): Busca atingir um patamar de 3,0% a 5,0% de saturação de K na CTC.
Elevação do teor de potássio ao nível crítico: Busca elevar os teores a 0,2 cmolc.dm-3 ou 2,0 mmolc.dm-3 ou 80 mg.dm-3
Nota: Este segundo critério aplica-se principalmente a solos arenosos, uma vez que, mesmo apresentando uma saturação por K% CTC adequada, o teor absoluto no solo pode estar abaixo do nível crítico de segurança.
Cálculo das Doses por Critério
a) Saturação por Potássio (K% CTC = 3 a 5)

b) Nível Crítico de K

Observações Importantes:
As variáveis CTC e K nas fórmulas acima devem ser inseridas na unidade cmolc dm -³.
Conversão de unidades:
0,2 cmolc dm -³ => 80 mg dm -³
Ajuste para outra unidade de análise: Quando os teores de potássio (K) do solo na camada 0 a 20 cm estiverem expressos em mmolc dm -³, o fator multiplicador final de transformação para doses de KCl deve ser alterado de $1600 para 160.



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