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Fazenda Charmosa - Milho Safrinha

  • Foto do escritor: Alexandre Rodrigues
    Alexandre Rodrigues
  • 28 de mar.
  • 6 min de leitura

No dia de hoje 28/03/26, foi dia de campo com o objetivo de estudar e avaliar a cultura do milho (BT) safrinha 26/26. Durante o monitoramento da lavoura, foram observados alguns pontos importantes relacionados ao desenvolvimento das plantas e à ocorrência de pragas.



A população encontrada foi de aproximadamente 4 plantas por metro linear em estádio vegetativo V5. No entanto, foi identificado um alto nível de dano (nível 7 a 8) qual a 80% das plantas estavam com ataque, com notas acima de 3 pela escala Davis , associado principalmente à forte infestação de pragas. Entretanto o enraizamento e desenvolvimento radicular das plantas de milho estavam normal de acordo com seu estádio fenológico e de nutrição, visto que foi realizado a adubação de cobertura nessa fase.



Entre as principais ocorrências, destacam-se:


  • Cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis)

  • Lagarta-do-cartucho

  • Mariposas da lagarta-do-cartucho


Apesar de terem sido realizadas três aplicações de controle, utilizando tanto defensivos biológicos (BT) quanto químicos (Bifentrina (cigarrinha-do-milho) e o Alon (lagarta-do-cartucho)), todavia não foi observado controle eficiente das pragas.


Segundo o gerente da fazenda, questões operacionais, sobreposição de atividades da safrinha, e o atraso na entrega dos produtos atrasaram as pulverizações e consequentemente o controle da lagarta-do-cartucho foi comprometida. Diagnóstico de Pragas e Danos

Praga Alvo

Nível de Infestação / Dano

Observações de Campo

Lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda)

Escala Davis 7 a 8

80% de plantas > nota 3 de 20 plantas avaliadas

Presença de lagartas em diversos instares (ínstar 2 a 5).

Cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis)

Alta Infestação

com Média de 3 insetos por planta

Inseto vetor causadora do complexo de enfezamentos presente em densidade populacional elevada.

Mariposas

Presente

Visualização de adultos em campo, indicando postura contínua e sobreposição de gerações.

Histórico de Manejo (Últimas Intervenções)


  • Ações Realizadas: 3 aplicações anteriores combinando defensivos químicos e biológicos.

  • Causas Prováveis: 

  • 1. Atraso na entrada com produtos inseticidas específicos.

  • 2. Alta pressão de inóculo na região.

  • 3. Possível falha na deposição da calda no alvo (fundo do cartucho).


A pulverização deve ser realizada preferencialmente em lagartas em ínstares iniciais, pois antes os inseticidas químicos e biológicos são mais eficazes contra insetos nesses estágios de desenvolvimento.


Momento ideal de controle da lagarta do cartucho na Lavoura evitando perdas
Momento ideal de controle da lagarta do cartucho na Lavoura evitando perdas
Lagarta do Cartucho
Lagarta do Cartucho

A utilização da Escala Davis auxilia na tomada de decisão com relação à necessidade de controle químico no milho.


Escala Davis é uma importante ferramenta para avaliar a severidade de ataques de pragas | Fonte: Pioneer®.
Escala Davis é uma importante ferramenta para avaliar a severidade de ataques de pragas | Fonte: Pioneer®.
Momento ideal de controle da lagarta-do-cartucho neonata ao 3º ínstar | Fonte: Pioneer®.
Momento ideal de controle da lagarta-do-cartucho neonata ao 3º ínstar | Fonte: Pioneer®.

No manejo da cultura do milho, um dos maiores desafios do produtor é saber quando agir no controle de pragas, especialmente da lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda). Nesse contexto, a Escala de Davis se destaca como uma ferramenta prática e eficiente para orientar a tomada de decisão no campo.


A escala varia de 0 a 9, representando níveis crescentes de dano nas folhas do milho. Notas entre 0 e 2 indicam danos leves, geralmente sem impacto significativo na produtividade. Já valores entre 3 e 5 representam danos moderados, enquanto notas de 6 a 9 indicam danos severos, com comprometimento direto do desenvolvimento da planta (EMBRAPA, 2023).


Mas o ponto mais importante não é apenas a nota isolada, e sim a proporção de plantas afetadas na lavoura.


🎯 Quando iniciar o controle?


De forma geral, recomenda-se iniciar o controle quando:


  • Cerca de 10% das plantas apresentam nota igual ou superior a 3 → momento ideal para intervenção (FORSEED SEMENTES, 2025)

  • Entre 15% e 20% das plantas com nota ≥ 3 → controle se torna urgente (CROPLIFE BRASIL, 2023)

  • Acima disso → o produtor já pode estar enfrentando perdas produtivas


Essa estratégia está alinhada aos princípios do Manejo Integrado de Pragas (MIP), que busca equilibrar eficiência econômica e sustentabilidade. O objetivo é agir antes que o dano cause prejuízo financeiro, mas evitando aplicações desnecessárias (CARNEIRO et al., 2024).


⚠️ O risco do momento errado


Tomar a decisão no momento incorreto pode trazer consequências importantes:


  • Controle tardio: as lagartas já estão protegidas no cartucho, dificultando a ação de inseticidas e reduzindo a eficiência do manejo (OLIVEIRA et al. 2024)

  • Controle precoce: gera aumento de custos e pode favorecer a resistência das pragas (CROPLIFE BRASIL, 2023)


Por isso, o uso da Escala de Davis aliado ao monitoramento frequente da lavoura é essencial para garantir melhores resultados.


A Escala de Davis é uma aliada estratégica na agricultura moderna, permitindo que o produtor tome decisões mais assertivas e baseadas em critérios técnicos. Quando bem aplicada, contribui para reduzir perdas, otimizar custos e aumentar a eficiência do manejo fitossanitário.


Além da lagarta-do-cartucho, durante avaliações realizadas em campo na cultura do milho safrinha, foi constatada a presença da cigarrinha-do-milho na fazenda, configurando um cenário de atenção quanto ao risco fitossanitário da área. Essa praga apresenta elevada relevância econômica por atuar como vetor de patógenos associados aos enfezamentos (vermelho e pálido), os quais provocam danos sistêmicos e irreversíveis, comprometendo o desenvolvimento das plantas e a produtividade da cultura (OLIVEIRA, 2025).



Diante da detecção da praga, reforça-se a importância do monitoramento precoce e contínuo, que deve ser iniciado logo após a emergência do milho. As avaliações consistem na inspeção direta das plantas, com foco na identificação de insetos adultos, podendo ser complementadas pelo uso de armadilhas adesivas amarelas para acompanhamento da dinâmica populacional. Em áreas como a avaliada, onde há presença confirmada da cigarrinha, a frequência de monitoramento deve ser intensificada, visando maior precisão na tomada de decisão (COTA et al., 2021).


O nível de controle para a cigarrinha-do-milho é considerado baixo, sendo recomendada a adoção de medidas de manejo já nas primeiras detecções, com referência prática de aproximadamente 1 inseto por planta nos estádios iniciais da cultura. Essa estratégia é fundamental, uma vez que mesmo populações reduzidas são capazes de transmitir os patógenos responsáveis pelos enfezamentos, tornando o controle preventivo indispensável.


Assim, a identificação da cigarrinha na fazenda estudada evidencia a necessidade de um manejo criterioso, baseado em monitoramento sistemático e intervenções rápidas, com o objetivo de minimizar os impactos produtivos e garantir maior eficiência no sistema de produção.


Recomendações Técnicas Imediatas


A. Estratégia Química e Biológica


  • Choque e Residual: Utilizar inseticidas com ação de choque, como os pertencentes ao grupo das diamidas ou espinosinas, é uma estratégia eficiente para o controle de lagartas em estádios mais avançados (L3/L4), proporcionando rápida redução populacional. Associado a isso, o uso de inseticidas fisiológicos (inibidores de quitina) contribui para o efeito residual, atuando sobre lagartas em estágios iniciais e interrompendo seu desenvolvimento. Essa abordagem integrada está alinhada aos princípios do manejo integrado de pragas, visando maior eficiência e durabilidade do controle (Embrapa, 2020).


  • Controle de Vetores: Manter o manejo da cigarrinha-do-milho por meio da rotação de ativos, como neonicotinoides e piretroides, em intervalos regulares de 5 a 7 dias, é fundamental para reduzir a população do inseto e, consequentemente, a transmissão de fitoplasmas e espiroplasmas associados aos enfezamentos. O controle deve ser realizado de forma preventiva e contínua, especialmente nos estádios iniciais da cultura, uma vez que mesmo baixas populações são suficientes para causar infecção e danos significativos à lavoura (Embrapa Milho e Sorgo, 2021; Embrapa, 2025).


B. Tecnologia de Aplicação


  • Volume de Calda: Ajustar para 150 a 200 L/ha para garantir o escorrimento da calda para o interior do cartucho.

  • Ponta de Pulverização: Utilizar bicos de jato leque plano ou cone que produzam gotas médias.

  • Horário: Priorizar aplicações em períodos de menor temperatura e maior umidade relativa, preferencialmente ao final do dia para favorecer a ação dos biológicos.


Referências bibliográficas


Embrapa. Estratégias contra a cigarrinha-do-milho. Cultivar Grandes Culturas, 2025. Disponível em: https://www.embrapa.br/busca-de-publicacoes/-/publicacao/1179329/estrategias-contra-a-cigarrinha-do-milho Embrapa. Manejo da cigarrinha-do-milho e enfezamentos. Brasília, DF: Embrapa, 2020. Disponível em: https://www.embrapa.br/busca-de-publicacoes/-/publicacao/1130346/manejo-da-cigarrinha-e-enfezamentos-na-cultura-do-milho Embrapa. Milho e Sorgo. Manejo da cigarrinha e enfezamentos na cultura do milho. Sete Lagoas: Embrapa Milho e Sorgo, 2021. Disponível em: https://www.embrapa.br/busca-de-publicacoes/-/publicacao/1130346/manejo-da-cigarrinha-e-enfezamentos-na-cultura-do-milho

OLIVEIRA, I. R. de; VIANA, P. A.; MENDES, S. M.; PIMENTEL, M. A. G.; LANDAU, E. C. Monitoramento e manejo de pragas na fase agrícola do sistema de integração lavoura-pecuária. In: ALVARENGA, R. C.; GONTIJO NETO, M. M.; SANTANA, D. P.; SILVEIRA, M. C. T. da; BORGHI, E. (ed.). Quinze anos de integração lavoura-pecuária e dez anos de integração lavoura-pecuária-floresta na Embrapa Milho e Sorgo. Brasília, DF: Embrapa, 2024. p. 173–187. Disponível em: https://www.alice.cnptia.embrapa.br/alice/bitstream/doc/1167572/1/Monitoramento-e-manejo-de-pragas-na-fase-agricola-do-sistema-ILP.pdf


CARNEIRO, J. et al. Avaliação de danos de Spodoptera frugiperda em cultivares de milho. 2024.


COTA, L. V.; OLIVEIRA, I. R. de; SILVA, D. D. da; MENDES, S. M.; COSTA, R. V. da; SOUZA, I. R. P. de; SILVA, A. F. da. Manejo da cigarrinha e enfezamentos na cultura do milho. Sete Lagoas: Embrapa Milho e Sorgo, 2021. Disponível em: https://www.embrapa.br/busca-de-publicacoes/-/publicacao/1130346/manejo-da-cigarrinha-e-enfezamentos-na-cultura-do-milho


CROPLIFE BRASIL. Monitoramento de pragas: essencial para a tomada de decisão. 2023. https://croplifebrasil.org/monitoramento-de-pragas-essencial-para-a-tomada-de-decisao/ OLIVEIRA, I. R. de. Estratégias contra a cigarrinha-do-milho. Cultivar Grandes Culturas, ano 27, n. 312, p. 12–14, jul. 2025. Disponível em: https://www.embrapa.br/busca-de-publicacoes/-/publicacao/1179329/estrategias-contra-a-cigarrinha-do-milho


FORSEED SEMENTES. Monitoramento de pragas e escala Davis. 2025. Disponível em: https://www.forseedsementes.com.br/boas-praticas-agronomicas/monitoramento-de-pragas/

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